| :: quinta-feira, 5 de junho de 2008
No próximo domingo, será o quinto dia do quinto mês do calendário lunar chinês, conhecido como Duplo Cinco, onde se prestará mais uma vez as mais distintas homenagens a um grande estadista, mandarim, patriota e poeta chinês Qu Yuan que viveu entre 340-278 a.C., período conhecido como Estados Combatentes. Esse período foi marcado pela disputa da hegemonia da planície central chinesa - Zhongyuan - região fértil entre os rios Amarelos e Changjiang (Yangtze), por sete reinos, a saber: Qi, Chu, Yan, Han, Zhao, Wei, Qin. No final, o reino de Qin unificará a China em 221 a.C.
Qu Yuan era ministro no reino de Chu e era o terceiro homem de maior influência do estado. Defendia uma aliança estratégia com o reino de Qi, para resistir a expansão do reino de Qin. Opunha-se a este seu ponto de vista, um ministro do estado de Qin que sempre procurava meios para destruir quaisquer alianças que pudessem criar obstáculos à expansão do reino de Qin. Tentou demover Qu Yuan de seus conselhos ao rei através de muitos regalos; entretando Qu Yuan era incorruptível, enquanto os outros ministros do reino de Chu eram mais sensíveis e os quais fizeram oposição a sua estratégia perante o rei. Qu Yuan tentou em vão convencer o seu monarca, chegando, até, a compor longos poemas em que exprimia o seu sentimento e o desespero que sentia, face aos os rumores que indicava que o seu rei iria rumar contrariamente a sua sugestão. Paralelamente, circulava o boato que Qu Yuan divulgou segredos de estado, a qual levou-lhe a ser degredado do estado em 313 a.C.
No ano seguinte, as relações entre Qin e Chu pioraram, de tal forma, que, Qu Yuan foi chamado de volta à corte e foi nomeado para um alto cargo oficial, mas as intrigas contra ele, continuaram ainda a persistir.
Depois de algumas tentativas fracassadas de ataque contra Chu no ano 299 a.C., Qin resolveu convidar o rei de Chu a viajar ao seu estado para travarem negociações. Mesmo Qu Yuan sendo contrário a essa viagem, por recear de se tratar duma armadilha preparada pelo ardiloso rei Qin; o rei ignorou por completo o seu conselho, inclusive até o censurou publicamente, reclamando de sua interferência e, pela segunda vez, Qu Yuan foi mandado para o exílio no norte da província de Hunan.
Enquanto o rei de Chu seguia em cortejo no caminho do reino de Qin, foram apanhados em uma emboscada, a qual foi tomado como prisioneiro do reino de Qin. Morreu após três anos devido aos maus tratados recebidos na cela. Qu Yuan, enquanto desterrado, não tinha o que fazer a não ser escrever poemas, onde satirizava a corrupção, o egoísmo e o descaso do povo, especialmente pela classe mais abastada. Escreveu um poeta mais longo conhecido como Lisao, em que dava conhecer os seus ideais políticos, que veio a influenciar gerações e gerações de literatas e políticos até o século atual.
Em 280 a.C., o Estado de Qin lançou um ataque final contra o Estado de Chu, e em 278 a.C., conquistava a capital.
Magoado com a notícia de falecimento do seu rei e impotente para salvar o seu reino, Qu Yuan num ato de desespero, se amarra a uma pedra e se atira a um rio situado a noroeste de Hunan, no quinto dia da quinta lua, morrendo momentos depois afogado.
Ao chegar a notícia do trágico fim do estadista, é organizado uma flotilha de barcos para o resgate de seu cadáver, nas águas revoltosas do rio. Para ganhar tempo e evitar que os seres aquáticos se alimentassem de Qu Yuan, a população ribeirinha enrolou em folhas de bananeiras e bambus arroz glutinado e jogou ao rio.
É nisso que se baseia a tradição das regatas de barco-dragão que ocorrem popularmente no sul da China e onde nesse dia se come o bolinho de arroz recheado com carnes, verduras ou gergelim, conhecido como Zhongzi, à memória desse poeta e estadista, símbolo do patriotismo.

publicado por Equipe China | 09:10
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