| Os
Lógicos, também chamados
de nominalistas ou “sofistas chineses”
eram mestres no discurso e na linguagem,
acreditando que o uso das palavras era
importante para a vinculação
das idéias, mas que, ao mesmo tempo,
elas possuíam autonomia sobre o
real, podendo proporcionar construções
díspares. Entre seus autores mais
eminentes estiveram Gongsunlong e Huizi,
este último grande amigo de Zhuangzi,
com o qual mantinha intrigantes diálogos.
Muitas de suas máximas estão
espalhadas pelo livro do sábio
daoísta, que o tinha em alta estima
por sua inteligência, argúcia
e sensibilidade. |
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COLUNISTA
André Bueno
Graduado
em Historia pela UFRJ
Mestre em Historia pela UFF
Doutorando em Filosofia pela UGF
Áreas de estudo: Na graduação
e no mestrado, estudou as relações
comerciais e culturais entre Roma e
China no período dos séculos
I ao III d.C. Atualmente trabalha com
pensamento confucionista na tese de
doutorado, analisando o texto do zhong
yong (o justo meio, o meio invariavel,
etc.).
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Os paradoxos propostos por Huizi guardam muita
semelhança com seus contemporâneos
gregos. Seu objetivo era demonstrar que, pelo
uso correto e intencional dos termos e denominações,
podemos fazer as mais abstratas construções,
destruindo os sistemas lógicos pela deturpação
das premissas básicas. Foi assim que Huizi
produziu frases como: “O que é infinitamente
grande não tem nada que lhe seja exterior;
e o que é infinitamente pequeno não
tem nada que lhe seja interior”; “O
que não tem espessura não pode acumular-se,
mas pode ser estendido”; “Se um bastão
de um pé de altura for divido, a cada dia,
em dois, continuará assim por uma infinidade
de gerações”; “O vôo
de uma flecha lançada rapidamente se compõe
de espaços que não estão
em movimento nem em repouso” e “No
momento em que se nasce, começa-se a morrer”.
Mas qual era o ponto principal deste discurso?
A relatividade das coisas. Tudo é relativo,
e por isso as idéias não se ligam
diretamente à realidade, mas apenas suscitam
processos na mesma. Não há uma separação
absoluta entre as coisas. Se um animal é
morto, por exemplo, ele deixa de existir enquanto
animal, mas se transforma em alimento para outro.
Logo, os estados são transitórios
e se alternam, não tendo fim.
A importância disso reside no fato de que
tudo converge para uma única realidade,
embora tudo seja relativo. Como o tudo não
é coisa alguma, é do nada que provém
tudo. Por isso mesmo, todas as coisas são
iguais, e devem ser amadas indiscriminadamente.
Aparentemente, tanto Huizi como Gongsunlong também
pregavam o amor universal, embora estendessem
um pouco mais essa noção em comparação
aos discursos confucionistas, moístas,
etc. Para eles, toda e qualquer coisa era um objeto
dessa realidade única e, por conseguinte,
com semelhanças conosco. Logo, ela deveria
ser amada, respeitada, e venerada, em equivalência
com todas as outras manifestações
da realidade suprema; afinal, tudo é relativo,
mas todas as coisas provêm da mesma fonte.
Resta-nos pensar que fonte é essa: será
uma sapiência humana universalista? Será
uma realidade metafísica? Ou será,
ainda, uma pura e simples manifestação
do homem diante dos mesmos contextos e problemas?
Aliás, sendo tudo relativo, será
que todas as outras escolas podem estar certas
em suas interpretações sobre o dao,
ou nenhuma está? E ainda, suas propostas
são temporais, ou atemporais? São
reais ou utópicas? Vem de algo além
ou da simples constatação do mundo?
Esta é, simplesmente, uma resposta que
os nominalistas não souberam (e nem se
propuseram) a dar. Na dúvida, porém,
os nominalistas parecem dizer a mesma coisa que
Confúcio e Mozi: amem a todas as criaturas,
sem distinções.
Bibliografia Indicada:
CHAN W. T. Sourcebook in Chinese Philosophy.
Princeton: PUP, 1963.
CHENG, A. Historia del pensamiento chino. Madrid:
Bellaterra, 2003.
GRANET, M. O Pensamento Chinês. São
Paulo: Contraponto, 1997.
RIEMAN, F. “Kung-Sun, White Horses and
Logic”. in Philosophy East & West,
n.31. Hawai, 1981.
THOMPSON, K. “When a "White Horse"
is Not a "Horse". in Philosophy East
& West. n.45. Hawai, 1995.