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| O
Ecletismo Han 1– Dong Zhongshu |
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Por
André Bueno |
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26 de Abril de 2004
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Após o período
violento da era Qin a China viu surgir,
em fins do século III a.C., o surgimento
de uma das mais poderosas dinastias da
história desta civilização,
os Han. Um dos primeiro atos destes novos
soberanos foi restituir a dignidade à
escola dos letrados de Confúcio,
elaborando uma grande exegese na recuperação
dos textos antigos e concedendo-lhe um
lugar importante junto à corte,
recrutando entre seus discípulos
conselheiros, funcionários, etc.
No entanto, o período Han foi também
conhecido por uma grande tolerância
para com os outros sistemas filosóficos,
o que terminou por criar um ambiente de
intensa troca entre pensadores, teorias
e sistemas, gerando toda uma leva de novos
sábios marcados essencialmente
pelo ecletismo de suas propostas.
Um dos primeiros a se destacar neste panorama
foi Dong Zhongshu, talvez o mais importante
filósofo do século II a.C.
Seu trabalho centrou-se basicamente na
realização de uma fusão
entre o pensamento cosmológico
e o letrado, e na organização
de uma ideologia imperial Han estruturada
neste “confucionismo modificado”,
o que obteve grande sucesso em sua época.
Dong teria tido também uma grande
influência sobre Sima Qian, o grande
historiador chinês que redigiu o
Shiji neste mesmo período. |
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COLUNISTA
André Bueno
Graduado
em Historia pela UFRJ
Mestre em Historia pela UFF
Doutorando em Filosofia pela UGF
Áreas de estudo: Na graduação
e no mestrado, estudou as relações
comerciais e culturais entre Roma e
China no período dos séculos
I ao III d.C. Atualmente trabalha com
pensamento confucionista na tese de
doutorado, analisando o texto do zhong
yong (o justo meio, o meio invariavel,
etc.).
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Sua teoria consistia em realizar uma fusão
entre a idéia dos ciclos naturais apresentados
pelos cosmológicos e a estrutura da sociedade,
estabelecendo categorias nas quais os grupamentos
humanos poderiam ser organizados através
de suas relações energéticas
(CQFL, 56, 57). Assim, a História chinesa
poderia ser explicada como uma mudança
de fase (xing) que se operava tanto na natureza
como na política, pois ambas eram regidas
pela mesma lei. A dinastia Qin, por exemplo, que
era “água”, foi tragada pela
dinastia Han, que era “terra”, cumprindo
o ciclo de aniquilação proposto
pela relação dos wuxing. Da mesma
forma, o ciclo yin-yang é representado
pela figura do imperador que seria o Pai, o princípio
yang ativo que mantém sua contraparte,
o súdito ou a família (yin), sendo
o sustentáculo cósmico e ordenador
natural de toda a sociedade, tal como Confúcio
já havia proposto.
Dong Zhongshu acreditava, no entanto, numa autonomia
do indivíduo. Para ele, cada ser é
um compósito específico dessas cinco
fases, regido por um li (princípio) que
o estrutura e manifesta. Por isso mesmo, os seres
devem ser regulados pela educação
e por uma série de virtudes morais diretamente
trazidas do confucionismo: Ren (humanismo), Li
(ritual), Yi (conduta), Zhi (sabedoria) e Xin
(confiança). A hierarquia social deveria
ser regida, pois, por aquele que melhor manifestasse
e realizasse o seu princípio individual,
e não haveria nenhuma ordenação
que não fosse assim baseada senão
no critério único da sabedoria e
do caráter moral.
Embora Dong tenha sido o grande ideólogo
do poder Han, dando-lhe uma justificativa ética
e cosmológica, podemos aí perceber
um grande avanço na identificação
da individualidade humana (e de todas as coisas,
em geral) através de uma explicação
científica para as diferenças entre
os seres. Dong consegue açambarcar as percepções
do daoísta Zhuangzi sobre a questão,
e ainda encerra o problema da natureza humana
proposto por Mengzi e Xunzi, afirmando que cada
ser possui, em maior ou menor grau, o bem e o
mal dentro de si.(CQFL, 37).
Bibliografia Indicada:
CQFL = Chunqiu Fanlu (Jóias Preciosas
das Primaveras e Outonos), de Dong Zhongshu.
ARBUCKLE, G. “Five
divine lords or one (human) emperor? A problematic
passage in the material on Dong Zhongsu”.
in The Journal of the American Oriental Society.
Vol. 113. n. 2. United States, 1993
CHAN W. T. Sources of Chinese Tradition. Columbia:
CUP, 1960.
CHENG, A. Historia del pensamiento chino. Madrid:
Bellaterra, 2003.
JOPPERT, R. O Alicerce Cultural da China. Rio
de Janeiro: Avenir, 1979.
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