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Os nomes, os sobrenomes e as formas de tratamentos chineses.

Colunista: Márcia Schmaltz
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26 de Abril de 2004  

Quem não tem curiosidade em saber o que significa os nomes e os sobrenomes chineses, bem como a forma de tratamento desta antiga civilização? Este artigo propõe desvelar um pouco sobre este tema, junto aos leitores brasileiros.

Os nomes e os sobrenomes são signos e/ou símbolos de distinção dos membros de uma sociedade. Quanto a posição dianteira ou posterior do sobrenome, cada povo tem as suas peculiaridades. Os sobrenomes chineses vêm à frente do nome, diferenciando-se, por exemplo, do Brasil aonde o sobrenome vem após o nome.


A origem etimológica do ideograma “sobrenome”

O ideograma de sobrenome origina-se pela formação de dois outros ideogramas, veja abaixo:

O lado esquerdo do ideograma é formado pelo caracter    nu, símbolo do gênero feminino, enquanto o lado direito é formado pelo caracter ? sheng, que designa a palavra “nascer”. Esta fonte etimológica sinaliza que a descendência era transmitida a partir da mãe, ou em outras palavras, de uma antiga estrutura social fundada no matriarcado, a qual até hoje ainda permanecem sobrenomes que designam esta origem.


Os sobrenomes

Outros sobrenomes têm relação com antigos cultos a animais, como Ma “cavalo”, Xióng “urso”, Lóng “dragão” são alguns exemplos; outros sobrenomes têm relação com nomes de reinos ou localidades da China antiga, como Qí, Sòng, Zhào (no ocidente transcrito foneticamente como Chao), Qín entre outros; existem outros sobrenomes, a semelhança ocidental, vinculados a profissão como Sima “guarda-cavalo”, Táo “cerâmica”. Ainda, outra semelhança, sobrenomes relacionados a nomes de vegetais, como Yang “álamo”, Liú “salgueiro”, Yè “folha” entre outros; há outros relacionados a nomes de cores, por exemplo: Huáng “amarelo”, Bái “branco”, Lán “azul”, etc.; ainda existem sobrenomes de minorias étnicas que muitas vezes são dissilábicos e que há adaptação fonética para o chinês-mandarim. Finalmente, todos estes refletem as influências sociais, históricas e culturais ao surgimento de um sobrenome.

Aqueles mais curiosos devem estar se perguntando: Afinal quantos sobrenomes existem na China?
Os documentos históricos registram que até hoje já existiram, ou já passaram pelo território chinês, mais de 5 a 6 mil, sendo em sua maioria, como pode ser observado acima, monossilábico ou de somente um ideograma. Atualmente, persistem apenas mais de uma centena.

“E qual será o sobrenome com o maior número de portadores?” De acordo com o senso chinês, atualmente aproximadamente 7,9% da população (100 milhões de pessoas) tem como sobrenome Li “ameixeira”. Os chineses criaram um dito para os seus maiores sobrenomes: “Zhang (grafado no ocidente muitas vezes como Chang), Wáng “rei”, Li, Zhao biàndì Liú “antigo nome de reino””. A qual podemos traduzir aproximadamente como: Zhang, Wang, Li, Zhao, Liu estão espalhados por todos os lugares.”

Antes da Revolução de 1949, a maioria das mulheres tinha apenas sobrenome. Era apenas adicionado o ideograma shì que equivale a “nome”. A partir de então, as mulheres não só ganharam nome, bem como obtiveram o direito de permanecerem com o seu sobrenome, não precisando adicionar em frente o sobrenome do marido.


Os nomes

Falando em nomes, então há ainda mais características especiais chinesas em comparação a muitas línguas ocidentais, pois a língua chinesa não distingue gênero e número. Geralmente, o nome é escolhido pelos avós, pais, algum ancião da família ou até pode ser pedido a um professor ou amigo culto. Há uma tendência que os nomes masculinos demonstrem bravura, coragem, longevidade ou honorificidade, então se escolhem ideogramas como “dragão”, “tigre”, “clarividência”, “construção”, “longevidade”, entre outros. Já muitos nomes femininos significam através de seus ideogramas suavidade, delicadeza, pureza, como “beleza”, “talento”, “flor”, “lua”, entre outros. Os chineses tradicionalmente também dão grande importância ao bom caráter e amor a pátria, por isso muitos escolhem os ideogramas que designam “filialidade”, “fidelidade”, “moralidade”, “fortificação da pátria”, “aquele que enriquecerá a pátria”.

Atualmente os principais problemas ligados aos nomes e sobrenomes é a crescente elevação de nomes homógrafos de uma única sílaba e pessoas com nomes e sobrenomes idênticos. Um nome como Li Hua existem milhares na China, trazendo diversas conseqüências sociais.


Forma de tratamento

A forma de tratamento mais comum entre os chineses é através do sobrenome adicionando posteriormente xiansheng “senhor”, xiaojie “senhorita”, nushì “senhora”, xiaopéngyou “amiguinho”, como Zhào xiansheng “senhor Chao”, Wáng xiaojie “senhorita Wang”. Ainda poderá ser adicionado após o sobrenome o cargo ou a profissão da pessoa, como Liú xiàozhang “reitor Liu”, Li laoshi “professor Li”. Entre conhecidos ainda poderá de acordo com a diferença de idade, ser tratado como Lao “velho”, Xiao “pequeno”, como Lao Lín “velho Ling” ou Xiao Zhang “pequeno Zhang”. Somente é permitido o tratamento direto pelo nome pelos mais velhos, pelos professores, por pessoas hierarquicamente superiores ou entre conhecidos. quando realmente não se sabe como vai se chamar, pode se utilizar ni hao “tudo bem”, “oi” (por exemplo, em querer tomar informação sobre um lugar).

Vale a pena observar, que após as políticas de Reforma e Abertura (1979), o tratamento tóngzhì “camarada”, tão em voga entre as décadas de 50 e 70 caiu em completo desuso. Este tratamento era utilizado indistintamente entre todos os chineses, sendo o tratamento mais “democrático”, não discriminando idade ou hierarquias sócias. Na década de 80 ainda se observou o uso de “camarada”, mas devido a motivos diversos já não era empregado como antigamente. Caso algum estrangeiro utilizar “camarada” como tratamento, causará estranhamento ao chinês. Um tratamento moderno entre marido e mulher é àirén aproximadamente traduzido como “amado (a)”.




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