Ni
men hao!
Aqui vão notícias sobre o Spring Festival
- o feriado que não terminou. Até hoje
tem comércio que não voltou. Tem muitos
detalhes interessantes, desde os programas de TV comemorativos
(clips com musica de varias regiões da China)
ate' a febre de fogos de artifício (que eles
adoram - afinal foram eles que os inventaram) e comemorações
em família. Sobre os clips, são mostradas
musicas cantonesas, da Manchuria, da Inner Mongólia,
Xinjiang, Jiangsu etc., mas chamou-nos atenção
um sobre Macau. Nesse clip dizia-se algo assim: "Mae,
sabes que meu nome não e' Macau, e' Aomen.
Fiquei 300 anos longe, mas não te esqueci nem
nos sonhos. Capturaram só meu corpo, e agora
estou de volta." Havia também um clip
sobre chineses no exterior, sendo as comunidades chinesas
no exterior mostradas como mais uma região
da China, com suas danças e culturas próprias.
E que a identidade chinesa não se desfaz ("mesmo
que eu more ou tenha nascido em terra estranha meu
coração e' ainda chinês").
Outra coqueluche do Spring Festival são as
Temple Fairs (ou feiras nos templos) - onde se pode
ir aos templos rezar, reunir a família, ver
performances e fazer muitas compras de artesanato.
No primeiro dia do ano do macaco fomos visitar a feira
do Fuzimiao. As feiras ficam nas ruas próximas.
A região estava muito lotada e forrada de lanternas
comemorativas. Vários produtos comemorativos.
Dentre as performances, um homem fazendo pintura chinesa
muito rapidamente. Com os movimentos das mãos
e as cores certas, surgem figuras de animais, flores,
barcos (junkos) - impressionante. Alem disso, pessoas
fazendo artesanato com um xarope doce, que se endurece
ao entrar em contato com o ar frio - dai surgindo
pirulitos em forma de dragão, macaco etc.
Ha também a arte dos recortes de papel. Enfim,
muita coisa! No sábado, dia 24, fomos passar
o Spring Festival "em família". A
prefeitura de Nanjing organizou esse evento, de estrangeiros
passarem um dia na casa de uma família. Realmente
foi muito interessante. Gao Gun, o nosso anfitrião
e seu amigo Bill (que apesar do nome e' também
chinês) vieram nos buscar em casa. Pegamos um
táxi, passando pelo oeste de Nanjing, vendo
a bela região do Nanjing Museum (prédios
antigos iluminados). Chegamos, um prédio baixo
(como vários da China) sem elevador. O apartamento
tinha uns 55 metros quadrados, muito limpo e aconchegante.
Tinham de tudo (TV VCD, computador etc) - mas só'
nos chamou a atenção que dentro do apartamento
era extremamente frio. Naquele dia estava seis negativos
e eles nem ligaram o ar condicionado que eles tinham.
Fomos recebidos pelo pai do Gao Gun e sua tia (irmã
do pai). Logo depois chegou um amigo do Gao Gun. Muito
engraçado que na casa tinha um monte de pantufas.
Cada um que chega na casa tira o sapato e poe a pantufa.
O pai do Gao Gun e' uma pessoa muito interessante.
Tem 57 anos, fez faculdade com algo relacionado à
fotografia. Hoje fotografa crianças em estúdio.
O filho fez faculdade em Harbin, na Manchuria, e hoje
sua profissão e' "trabalhar com ar condicionado".
Não sei, acho que ele cuida de manutenção
ou técnica, se entendi bem. A mae e' um mistério.
Não ha presença dela nem no álbum
de família que vimos.
Ficamos um tempão aprendendo varias coisas.
Explicaram-nos xadrez chinês. Ha muitas regras
diferentes, mas o que chamou a atenção
e' não haver rainha ou nenhuma peca feminina.
"Mulher não vai ao campo de batalha."
Outra curiosidade e' haver um "rio" no meio
do tabuleiro. O cavalo também existe aqui,
e faz um movimento semelhante. Por razoes obvias,
não ha o bispo (e sim ministros do líder).
Quem sabe um dia conseguiremos jogar direito!
Na hora do almoço, como todo bom almoço
chinês - um monte de pratos diferentes! Peixe,
frango gelado, brócolis, vagem, ovo de 1000
anos, bofe de búfalo, sopa de frango, sopa
doce de milho com uma massa branca, arroz, porco com
tofu, camarão do norte do pais. Comemos bastante.
Experimentamos de tudo. Eles cozinham muito bem. Para
quem não sabe, ovo de 1000 anos e' um ovo que
eles enterram por um tempo (apesar do nome, e' por
apenas seis meses). Quando eles desenterram, a clara
e' verde e a gema preta.
O amigo biólogo do Gao Gun sabe um monte de
coisas sobre o Brasil. Caímos para trás
quando ele disse que no Brasil existem 200.000.000
de técnicos da seleção. Sabe
da Amazônia, do Rio de Janeiro (a cidade tem
nome chinês), todos eles conhecem o Palmeiras,
o Corinthians, o São Paulo.
Sobre questões contemporâneas, eles
tem uma visão de que a China não ta
crescendo, esta' em crise. Os garotos acreditam que
a vida hoje e' melhor que antes, pois eles podem consumir
mais. O pai pouco se pronunciou - ate' que falou:
"Não importa se e' socialismo ou capitalismo
- tem que se pensar no bem estar do povo."
Comentaram não gostar de japoneses por causa
de vários incidentes históricos entre
os dois paises. O principal, o massacre de 1931. Na
China ocupada pelo Japão, soldados mataram
grande numero de civis - e o pior e' que os japoneses
não aprendem isso na escola, segundo eles.
Demoramos a sair da mesa: na China e' o convidado
que pede para todos mudarem de sala. Não sabíamos
disso, então conversamos bastante na mesa,
ate' que eles perguntaram.
Conversamos, tomamos chá, cantamos no karaokê
a musica "Tian mi mi" (única que
sabíamos). Eles cantaram um monte de musicas
russas em chinês (que não sabíamos
ser tao populares aqui). O pai canta muito bem. Ele
também tocou para a gente "er hu"
(violino de 2 cordas), instrumento tradicional chinês.
Depois veio o pessoal da Nanjing TV nos entrevistar.
Foi muito interessante. O pai do Gao Gun fez caligrafia
chinesa no pincel (shufaa), e TV mostrou. Ele esfrega
na água um bastão sólido que
se liquefaz. Dai a tinta surge. O modo de segurar
o pincel e' importante. Filmaram a gente fazendo shufaa
também. Escrevemos coisas como os nossos nomes,
Brasil, China (infantil, ainda mais se comparado com
os deles).
Depois ficamos todos eu e a Erika, da família
do Gao Gun, o Bill, e toda a equipe de TV enrolando
manualmente jiaozi (e' um pastelzinho chinês
parecido com ravioli). Primeiro, bater a massa (farinha
e água). Separam-se os pasteizinhos. Depois,
enfiar carne de porco no recheio. Depois, colocar
na água fervendo. Ficamos fazendo isso durante
1:30 hora. O que mais impressionou foi a equipe de
TV ficar todo esse tempo com a gente, e ainda fizeram
um monte de pasteizinhos. Todos eles sabiam. Como
comemos! Dizem que quanto mais reaproveitada a água,
melhor fica o Jiaozi.
Depois entrevistaram a gente. Fizeram umas perguntas
meio ruins de responder, tipo "Compare educação
entre Brasil e China". Mas tudo correu bem, acho.
Desculpem o longo texto! E' que Spring Festival e'
muito rico para nos e nesses dias aprendemos muito.
Adoramos a experiência. Ate' que enfim, depois
de 5 meses, foi a primeira casa chinesa que visitamos!
Zaijian,
Daniel.