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os textos antigos, apenas uma obra
da época Tsin ultrapassou a
grandeza da Grande Muralha, em termos
de ocupação de força
de trabalho – o colossal mausoléu
de Chi Huang-di, que mobilizou 700
mil prisioneiros e outros trabalhadores.
A construção foi iniciada
em 246 a.C., quando Chi, ainda menino,
herdou o trono de Tsin; e não
estava concluída quando ele
morreu, 36 anos mais tarde. Os arqueólogos
só podem especular sobre o
que todos esses trabalhadores poderiam
ter realizado se dispusessem de mais
tempo. No entanto, é inegável
que criaram uma obra considerada hoje
como uma das grandes maravilhas do
mundo – o exército de
terracota.
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Exército Soterrado -
Parte 2 |
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Desde que o sitio foi descoberto oficialmente,
em 1974, os arqueólogos têm
estado ocupados em desenterrar, documentar
e penosamente tentar preservar essas
figuras. O trabalho está longe
de ser concluído – sob
alguns aspectos mal começou.
Porém, os pesquisadores já
puderam colher desse material preciosas
informações acerca da
estrutura e da organização
do exercito de Chi Huang-di, bem como
a respeito de suas armas e de suas
táticas.
O fosso 1, a cova retangular penetrada
inicialmente pelos arqueólogos,
tem sido o mais estudado. Ele conserva
a principal força de combate
do exercito enterrado – que
se estima conter ao todo pelo menos
6 mil figuras de barro, das quais
mais de duzentas formam a vanguarda
da unidade. Vestidos com simples
túnicas de combate, calçados
leves e perneira, sem armaduras,
essas tropas estão formadas
ombro a ombro em três fileiras,
na extremidade oriental do fosso.
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A posição
das mãos dos arqueiros e a abundancia
de peças de bronze achada nas proximidades
– como mecanismos arremessadores de
bestas e pontas de flecha – levou
os arqueólogos a concluir que cada
soldado, originalmente, devia portar uma
besta, constituída de um arco de
madeira de 1,35 metros de comprimento, enrolado
com tiras de couro e laqueado, depois preso
a uma vara de madeira com ranhuras. Segundo
as fontes, essa arma tinha um alcance de
800 metros e produzia um impulso de 360
quilos, mais que suficiente para trespassar
a amadura do inimigo. Os modernos historiadores
afirmam que essas armas apareceram pela
primeira vez no Ocidente na batalha de Sogdiana,
na Ásia central, em 36 a.C., quando
os escudos dos soldados romanos foram furados
com facilidade pelas flechas vindas das
bestas. Durante o ataque os arqueiros provavelmente
se colocavam a uma certa distancia, em posição
semelhante à da moderna artilharia
de longa distancia, para crivar os inimigos
do Primeiro Imperador com uma chuva de flechas
letais
Imediatamente
atrás dessa vanguarda, onze
corredores se abrem em direção
ao oeste; em seis deles há
carros cobertos puxados a cavalo
e uma tropa avançada de soldados
de infantaria. Um par de sinos de
bronze de 3 quilos cada um e os
restos de tambores também
foram encontrados ao de dois dos
carros, levando os arqueólogos
a concluir que os veículos
eram mais carros de comando do que
de combate – suposição
apoiada por fontes históricas.
Um toque de tambor, por exemplo,
assinalava o inicio da marcha das
tropas, segundo os textos, enquanto
um segundo toque significava o inicio
do ataque. Por outro lado, o toque
do sino advertia os soldados para
encerrar o combate, e um novo repicar
dava a ordem de retirada.
A maior parte do exercito de
terracota é formada por
soldados de infantaria, usando
armaduras leves. Impressionantes
pelo número, que constituía
a maior força do exercito
real, eles se erguem em fileiras
de quatro atrás dos carros
e, em três corredores, ao
lado de lanceiros sem armaduras.
Embora atualmente as estatuas
apresentem uma uniforme cor castanho-acinzentada,
ainda permanecem aqui e ali as
marcas de pintura no barro, indicando
que os personagens brilhavam outrora
com vestes de cores vibrantes:
armadura de tom castanho presas
por tiras vermelhas, túnicas
e perneiras verdes ou cor de púrpura
e chapéus castanhos, ou
brancos, amarrados com laços
de cor vermelha ou púrpura.
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Duas longas fileiras de
arqueiros prontos para o combate foram descobertos
nas alas das extremidades norte e sul do
fosso e as sondagens exploratórias
sugerem a presença de três
fileiras de atiradores de elite –
uma imagem em espelho da vanguarda –
em posição no oeste. Em cada
lado, os arqueiros que formam as alas estão
voltados para o exterior, tornando a massa
interna de soldados e cavalos invulnerável
a um ataque de surpresa, vindo de qualquer
direção. Porém, está
não era a única vantagem dessa
formação, acrescentam os historiadores.
Ela permitia que o exército de Tsin
fosse tão eficiente em combate frontal
quanto capaz de se desdobrar fácil
e rapidamente para uma formação
em “V”, por exemplo, para envolver
o inimigo – ou e, “V”
invertido, para tentar penetrar o centro.
Sondagens preliminares e escavações
em determinados pontos revelaram que
o fosso 2, a galeria subterrânea
situada imediatamente a nordeste do
fosso 1, abrigava igualmente um notável
dispositivo militar. Cerca de oitenta
arqueiros, todos eles descansando
sobre o joelho direito e olhando com
segurança para o leste, estão
organizados em uma formação
quadrada, no canto nordeste da câmara,
rodeados por todos os lados por soldados
de infantaria em marcha, sem armaduras.
A oeste dos arqueiros
está agrupado um conjunto formado
por carros, infantaria e cavalaria
– soldados com armaduras, que
levam uma besta na mão esquerda
e as rédeas de um cavalo de
terracota na mão direita. Os
historiadores militares afirmam que
essas tropas tiveram um papel decisivo
durante a campanha de Changping, que
opôs os reinos de Tsin e Tsao,
uma no antes do nascimento do Primeiro
Imperador. Ao fim do conflito, um
destacamento Tsin especial, formado
por 25 mil condutores de carro e soldados
de infantaria perseguiu o exercito
de Tsao em retira, enquanto 5 mil
cavaleiros iam atacar os acampamentos
de defesa do inimigo. A ofensiva foi
de eficácia decisiva e sangrenta.
O exercito de Tsao foi dividido, ficando
apartado de suas vias de suprimento.
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| Acredita-se
que os oitos corredores mais meridionais
do fosso 2 abriguem apenas carros
e seus condutores. As sondagens exploratórias
até hoje realizadas não
encontraram nenhum instrumento de
comando, nem soldados de infantaria,
como os que acompanhavam os veículos
semelhantes do fosso 1. Essa constatação
levou alguns estudiosos a concluir
que os carros do fosso 2 representavam
a força reserva.
Originalmente, dezenas
de soldados armados – com os
calcanhares encostados nas paredes
e os olhos mirando fixamente à
frente – se mantinham em guarda
na ala sul do fosso 3, uma câmara
em forma de U que é a menor
entre as três que contêm
estatuas. Duas filas de onze guerreiros
estavam aguardando, em um corredor
semelhante, ao norte. E perto do centro
da galeria os arqueólogos descobriram
os restos de um carro coberto, atrelado
a quatro cavalos de terracota.
Os historiadores
militares acreditam que os homens
do fosso 3 constituem uma guarda permanente
do centro de comando do conjunto do
exercito de terracota esses carros
provavelmente serviam para levar as
ordens às tropas, no campo
de batalha.
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Contudo, a presença de cifres
de veado e ossos de animais no mesmo
local levou os investigadores a concluir
que o fosso 3 tivera também
uma segunda função,
como lugar especial para reuniões,
no qual eram realizados sacrifícios
e orações, e onde se
tentava predizer os resultados das
batalhas que se realizariam. Os historiadores
não têm dúvida
acerca do fascínio que tais
praticas exerciam sobre o Primeiro
Imperador. No entanto, é pouco
provável que algum oráculo
tenha conseguido predizer a rapidez
com a qual seu reino – e sua
dinastia nascente – iriam desaparecer.
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