Um reino tão fortemente organizado
deveria necessariamente passar à
conquista externa. Com efeito, aos
poucos, e à custa de numerosas
carnificinas, das quais resultaram
centenas de milhares de cabeças
decepadas, o Ts’in estava apto
para completar a unificação
da terra chinesa iniciado na época
imperial da Historia da China.
O fundador do Império Chinês
foi o rei de Ts’in, Tcheng,
que, como imperador chamou-se, Che
Huang-ti (primeiro augusto senhor).
O César chinês é
descrito por um contemporâneo
como um homem de nariz proeminente,
olhos largos, peito de ave de rapina,
voz de chacal, coração
de tigre ou de lobo. O império
fundado por Huang-ti iria durar, sob
diferentes dinastias, mais de dois
mil anos (221 a.C. – 1912 da
nossa era). Convém, pois, apresentar
os traços característicos
de uma tal obra. Procuremos resumi-los
nos seguintes itens:
1. A unidade imperial foi realizada.
a) pela força bruta que submeteu
e destruiu os demais estados feudais;
b) pela extensão, a todo
o território unificado, do
rígido corpo de leis vigentes
no Ts’in;
c) pela forte centralização
governamental;
d) pela aplicação
na política das maquiavélicas
teorias da Escola dos Legistas,
já utilizadas, havia muito,
pelos príncipes do Ts’in.
2. Huang-ti, como outros grandes
homens de estado, soube unir o gênio
militar à capacidade administrativa.
Consolidou seus triunfos guerreiros
por meio de uma atividade política,
social e intelectual. Deslocou populações
inteiras com o fito de acabar com
regionalismos perigosos, instituiu
uma equilibrada e centralizada administração
para as províncias e fez
construir um sistema de estradas
imperiais.
3. Entre suas realizações
e desmandos de ordem intelectual
podemos anotar:
a) unificação dos
caracteres da escrita, dos pesos
e medidas;
b) destruição, a conselho
de seu ministro Li Sseu, de todos
os livros, com exceção
das obras técnicas, com a
finalidade de livrar o império
da considerada nefasta influencia
dos escritores de filósofos
como Confúcio e Mêncio
(213 a.C.).
4. A grande obra material do reinado
de Huang-ti foi a construção
da monumental muralha da chinesa
ligando as antigas fortificações
outrora construídas por diversos
príncipes com a finalidade
de repelir os ataques dos Hunos.
Huang-ti morreu em 210, não
sem antes tentar descobrir a droga
da imortalidade, reunindo, para
isso, enorme multidão de
mágicos.
Sues funerais foram grandiosos e
cruéis como fora sua vida.
Sepultado nas proximidades de sua
imponente capital, Hien-Yang, situada
na margem do rio Wei, ao norte da
atual Tch’ang-ngan, arrastou
para as profundezas de seu monumental
tumulo não só os operários
que no mesmo haviam trabalhado,
mas todas as mulheres de seu harém
que não lhe haviam dado filhos.
O sucessor do grande imperador foi
incapaz de continuar a grande obra,
a dinastia dos Ts’in entra
em decadência e o império
mergulha numa era de anarquia em
que o poder passa a ser disputado
pelos chefes militares.