Externamente
Wu-ti procurou estender as fronteiras
de seu império, conquistando
definitivamente a China, com a bacia
do Huai e com o litoral meridional,
toda a imensa região do rio
Azul e anexando o reino de Cantão.
Mas a atividade guerreira de Wu-ti
não se fez sentir somente na
região sul. A luta contra os
hunos e a conquista da Ásia
Central figuraram entre os fatos marcantes
de sua política externa. Resultados
dessas vitórias e conquistas
foi o estabelecimento de uma verdadeira
“Pax Sínica” através
da Ásia Central e Oriental.
Nessa época viveu Sseu-ma Ts’in,
o historiador a que já aludimos
e o poeta Sseu-ma Siang-Ju, que descreveu
a beleza selvagem das caçadas
imperiais.
Outro soberano Han que deve ser mencionado
é Siuan-Ti (73-49 a.C.). Sob
seu reinado foram feitas diversas
expedições à
Ásia Central provocadas pelos
tradicionais adversários chineses:
os hunos. A divisão destes
entre dois chefes rivais, depois do
ano 60 a.C., facilitou a ação
militar chinesa: protegeu o huno Hu-han-ye
que se declarava vassalo do Filho
do Céu contra Tche-Tche. Este,
derrotado, dirigiu-se com outros hunos
para o Ocidente aliando-se a tribos
bárbaras indo-européias
e instalando-se nas estepes do Tchu
e do Talas; uma expedição
chinesa, entretanto, pôs fim
às ambições de
Tche-Tche em 36 a.C.. Os hunos ocidentais
só vão reaparecer no
cenário histórico quando
no século IV cruzarem o Volga
e o Don para atacar o mundo germânico
e o Império Romano.
No ano 9 d.C. o trono dos Han foi
ocupado pelo usurpador Wang Mang que
deveria exercer o poder até
22 d.C.. Imbuído das idéias
dos letrados sobre o governo, Wang
Mang surge na historia Chinesa como
um reformador contra os latifúndios
considerados como a causa principal
da miséria dos camponeses.
No ano 6 da nossa era, já sob
a influencia de Wang Mang, que ainda
não era imperador, fora proibido,
a quem que fosse, possuir mais de
cento e cinqüenta hectares de
terra sob pena de confiscação
do excedente. Tendo subido ao trono,
Wang Mang deu a cada família
de oito pessoas uma propriedade de
cinco hectares, obrigando, ao mesmo
tempo, aos proprietários de
domínios mais vastos a distribuir
o excesso a seus parentes e vizinhos.
Compreende-se que essas e outras reformas,
como a proibição do
tráfico de escravos, tenham
despertado uma reação
tremenda no vasto império.
Os legitimistas que desejavam a volta
dos Han escolherem Lieu Hiuan, príncipe
da velha dinastia, como chefe; Wang
Mang foi então deposto e assassinado.
Os Han que haviam reinado até
o ano 6 da nossa era são conhecidos
como “Han Ocidentais ou Anteriores”;
sua capital foi Tch’ang-ngan
ou Si-ngan-fu em Chen-si. Os Han restaurados
são os “Han Orientais
ou Posteriores” e reinaram em
Lo-Yang ou Ho-nan-fu, em Ho-nan.
Lieu-Hiuan se revelou desde logo incapaz
das grandes funções
que lhe cabiam como imperador num
momento de tremenda crise político-social;
foi então substituído
por outro príncipe Han, Lieu
Sieu que se o imperador Kuang Wu-ti
(25-57). Nos trinta e dois anos de
seu reinado conseguiu restabelecer
a paz interna e a hegemonia chinesa
na Ásia Oriental. Vamos tentar
resumir nas seguintes linhas alguns
fatos característicos dos dois
séculos de domínio “Han
restaurados”.
1. Em primeiro lugar, citemos as constantes
questões dinásticas
relacionadas com a sucessão
ao trono. Revoltas de príncipes
de sangue, intrigas e assassinatos
na corte, influencia preponderante
de certas imperatrizes viúvas.
2. Esses distúrbios não
impediram, de um modo geral, que a
sólida maquina administrativa
e militar do império funcionasse
graças sobretudo a alguns generais
decididos entre os quais figura o
famoso Pan Tch’ao, guerreiro
audacioso e capaz, cujo nome está,
durante cerca de 30 anos, intimamente
ligado à conquista e ação
civilizadora dos chineses na Ásia
Central e que recebeu o titulo de
“Protetor Geral dos países
do Ocidente”.
3. A “Pax Sínica”
favoreceu as relações
comerciais com regiões longínquas.
4. Foi sob os Han Orientais, que o
Budismo, seguindo a rota aberta pelos
soldados e mercadores, penetrou na
China. A pregação da
nova religião, que já
florescia na Índia, havia mais
de meio milênio, foi favorecida
por dois fatos políticos. Primeiro,
a integração de parte
da Índia do noroeste e do Afeganistão
(países e que se difundira
o budismo) Império Indo-cita;
este império manteve excelentes
relações com a China.
Segundo, a extensão do Império
dos Han até o Pamir, nas portas
da Índia e a abertura da famosa
estrada da seda. Note que sob os Han
a propaganda budista não obteve
maiores êxitos, que acusaram
a religião estrangeira de inimiga
da família por fazer periclitar
o culto dos antepassados.
5. Um acontecimento de capital importância
para a cultura chinesa foi sob os
Han, a fixação dos textos
das obras atribuídas a Confúcio
e à escola. Para garantir a
duração dessa obra grandiosa
foram gravados os ditos textos em
estelas de pedra. Com o prestigio
da doutrina confucionista se afirma
igualmente a importância dos
letrados organizados em verdadeira
classe.
6. O Taoísmo, conheceu sob
a dinastia dos Han Posteriores uma
larga difusão entre as massas
populares. Os taoístas militantes
identificavam-se mediante o uso de
um turbante amarelo. Suas preocupações
saíram do terreno religioso
para o social, atingindo a própria
política. Em 184 d.C. estourou
a rebelião dos turbantes amarelos,
reprimida com crueldade e energia.
A essa rebelião juntaram-se
as intrigas da corte e as ameaças
externas dos Hunos. Um general decidido,
Ts’ao Ts’ao, proclamou-se
então, (196 d.C.) na capital
do império, Lo-Yang, o protetor
do império. Em 220 o “protetor”
morreu e seu filho Ts’ao P’ei
depôs o imperador Hien-ti, usurpando
o trono e fundando a dinastia dos
Wei.
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