15
de Janeiro de 2004
Com o novo
"Acesso ao Livro das Mutações"
John Blofeld nos fala sobre a Natureza e Origem
do
I Ching da seguinte maneira:
"Não havia nada a esse respeito,
até que providencialmente, estudantes
Asiáticos atuais, começaram a
se interessar bastante sobre materiais científicos,
o que para bem ou para mau, contribuiu muito
para transformar a vida humana, especialmente
no Ocidente.
Anteriormente os pensadores Asiáticos
estavam ocupados com a origem do significado
da vida ou em última instância
com o verdadeiro objetivo do ser humano e as
formas de utilizar o conhecimento vital para
o auto cultivo e auto conquista. Um dos mais
valiosos e ainda um dos mais coerentes trabalhos,
que adiciona entendimento aos processos rítmicos
da vida, com o propósito de levar o homem
a harmonizar-se com eles, é o Livro das
Transmutações".
De fato, no Ocidente, desde Galileu, o pai
do método científico (que viveu
por volta de quatrocentos anos atrás),
os cientistas têm investigado continuamente
as leis naturais ou leis positivas. Os mais
altos conceitos sem dúvida alguma, são
a Primeira, Segunda e Terceira Lei de Newton
da Dinâmica e a sua Lei Universal da Gravidade.
A equação de Einstein para a relação
entre a matéria e a energia é
E=MC2. Estas leis positivas
conduziram finalmente o homem ao entendimento
da Natureza e Ruptura do Átomo, mas não
tantas leis foram descobertas no que diz respeito
à Cultura e Ciências humanas. Tudo
o que conhecemos são leis Causais, presunções
metodológicas e Leis Estatísticas,
Leis Tecnológicas, etc. Porém
no que diz respeito ao lado humanístico,
o Ocidente é bastante atrasado em comparação
às conclusões sobre ciência
Natural.
Como o I Ching representa o primeiro combate
da mente Chinesa para descobrir os mistérios
e segredos do Universo tão bem como a
natureza do homem e sua cultura, trata-se de
um livro de disciplinas unificadas, incluindo
estudos de cosmologia, sociologia, culturologia
e ética. Em resumo, o I Ching é
um tipo de Filosofia Sintética. Uma explicação
interessante sobre como os antigos sábios
chegaram às suas conclusões para
usarem os Hexagramas como preceitos abstratos
que expressam fatos reais, é que eles
usaram fórmulas de mutações
nas quais os múltiplos fenômenos
são despidos de sua variedade e reduzidos
à unidade e harmonia. No Apêndice
do Livro encontramos:
"No início dos tempos, quando Fu
Hsi andava pelo mundo, olhou para cima
para observar os fenômenos dos corpos
planetários, olhou para baixo para provar
as leis das miríades de coisas na Terra.
Examinou os sinais dos pássaros e bestas
e estudou como estavam adaptados em seu habitat.
Algumas idéias, retirou da observação
de seu próprio ser enquanto que outras,
através das coisas dispersas na Terra.
Assim, ele inventou os Oito Trigramas, como
um meio de comunicar as virtudes dos seres espirituais
e dar significado às características
de miríade de coisas". (O
Apêndice, Parte II).
A passagem acima descreve o método pelo
qual o primeiro sábio formou uma visão
cósmica e princípio ético
da vida. No Apêndice atribuído
à Confúcio, encontramos:
"O I harmoniza-se com o Céu e a
Terra, dando como resultado, sua completa interação
com o "Tao" do Céu e da Terra."(
Apêndice IV). O "I" é
um livro vasto e grande no qual todas as coisas
estão completamente contidas. O Tao do
Céu está nele, o Tao da Terra
está nele e o Tao do Homem está
nele. Combina estes três poderes primários
e os duplica; aí está o porque
de haverem seis linhas. Estas linhas, não
são outra coisa senão o Tao dos
três poderes primários" (O
Apêndice, Parte II)
E ainda, o autor do Apêndice corrobora
que "o conhecimento contido neste livro
é compreensível o suficiente para
abranger todas as coisas do Universo e sua filosofia
útil o bastante para beneficiar a todas
as pessoas do mundo". (O Apêndice,
Parte I)
O I Ching tem sido comentado
e interpretado por centenas de livros de vários
autores chineses durante os últimos 2000
anos e é sem dúvida um sistema
altamente complexo. Observando as questões
a respeito de suas origens, Wang Kuo Wei (1877
a 1927 d. C) escreveu:
"O texto deste trabalho possui as 'notas
explicativas nos Hexagramas (Kua Tzu) e as notas
explicativas nas linhas esquemáticas
(Hsiao Tzu)' e foi composto na primitiva dinastia
Chou. Seus comentários, 'Os Dez Apêndices
- Shih I - literalmente As Dez Asas' foram atribuídos
à Confúcio ou a seus discípulos
que os escreveram de acordo aos seus ditames."
Apesar de acreditar que o I Ching deve sua
remota origem aos Oito Trigramas de Fu Hsi,
um crítico moderno baseando sua especulação
na antropologia, teorizou que os Oito Trigramas
foram desenhados pelos mágicos da sociedade
literária que deveriam ser os mesmos
mágicos ou sacerdotes da Dinastia Yin
(sec. 17 a sec. 11 a C.)
Em meu próprio julgamento, gostaria
de sugerir que a idéia original do I
Ching, particularmente o conceito de TAO (também
conhecido como Tai Chi), foi originada há
muito tempo atrás, provavelmente na Era
Totêmica dos princípios Paleolítico
e Neolíticos. Tanto Confucionistas como
Taoístas baseiam seus sistemas no TAO,
que tem sido explicado através do I Ching.
De acordo a este livro, um aspecto Yin e um
aspecto Yang, configuram TAO, aquilo que foi
definido por Lao Tzu como INDEFINÍVEL,
O PRINCÍPIO DOS PRINCÍPIOS, sendo
esta, a Lei do Universo. A idéia original
foi mais tarde, amplamente desenvolvida por
Fu Hsi, Rei Wen e o Duque de Chou; ambos últimos
que viveram no Sec. 12 a C. Alguns séculos
mais tarde foi concluído por Confúcio
e seus discípulos que o realizaram através
de uma filosofia altamente abrangente.