A palavra "jade"
transmite uma sensação de
mistério. Em chinês, "jade"
(yu) se refere a uma pedra bonita e fina
com uma cor quente e brilhante, que é
hábil e delicadamente esculpida.
Na cultura chinesa, o jade simboliza nobreza,
perfeição, constância
e imortalidade. Durante milênios,
o jade foi uma parte íntima das vidas
dos chineses de todos os níveis e
classes. É vista como a mais valiosa
de todas as pedras preciosas.
O Jade é encontrado
em montanhas e leitos fluviais, os chineses
consideram que o jade é "a essência
do céu e da terra". Quando polido
e esculpido em vários artigos, o
jade é atribuído com certas
características culturais. Na antiga
cosmologia chinesa, o firmamento era considerado
redondo e a terra quadrada. Assim, um ornamento
cerimonial de jade redondo com um orifício
no centro, chamado de pi, foi esculpido
para honrar os deuses do céu, e um
ornamento longo de jade oco com lados retangulares,
chamado ts'ung, foi feito para honrar os
espíritos da terra. De acordo com
a antiga lenda chinesa, a fênix e
o dragão são deidades animais
que eram consideradas a fonte de vida das
famílias dos clãs. Por esta
razão, o jade era freqüentemente
usado como um material para esculpir fênix
e dragões usados como ornamentos.
Estes ornamentos simbolizaram o porte nobre
de um cavalheiro e são a origem do
ditado chinês: “A moralidade
de um cavalheiro é como jade".
Artigos sacrificiais e
auspiciosos eram usados em antigos ritos
institucionais e são geralmente chamados
de "utensílios de rituais".
Os utensílios sacrificiais eram usados
em oferendas para os ancestrais ou em pagamentos
de respeito cerimonial pagando para os deuses
do céu e da terra. Sabemos dos resquícios
arqueológicos que as pessoas da Era
Neolítica esculpiram um grande número
de pi redondo e ts'ung retangular para uso
como utensílios sacrificiais. O conceito
de um céu redondo e uma terra retangular,
que ficou profundamente inveterado na mente
chinesa, pode ter emergido pela primeira
vez naquele tempo. "Utensílios
auspiciosos" foram carregados ou usados
pela nobreza como símbolos de seus
escritórios ou autoridade. Por exemplo,
machados e pás de jade evoluíram
com o tempo para o kuei, tabletes alongados
e pontudos de jade. Quando o "filho
do céu" ou imperador despachava
um duque, príncipe ou outro funcionário
para um serviço externo, ele lhe
dava um "tablete de autoridade"
para proclamar a tarefa nomeada a ele pelo
"filho do céu". A função
tradicional dos utensílios de jade
de ritual começou a minguar gradualmente
após a Dinastia Han (206 a.C. para
220 d.C.), quando somente um número
pequeno de utensílios de jade sacrificiais
eram usados em ritos cerimoniais conduzidos
pelo imperador.
Enterrar objetos de jade
com o morto era uma prática comum
na China antiga.
"O jade de uso vivente como um símbolo
de sua integridade moral, e jade acompanha
o defunto para confortar suas almas".
Mais de quatro mil anos atrás na
China, grandes quantidades de utensílios
de jade eram freqüentemente colocadas
em cima ou ao redor de um caixão,
particularmente o pi representando o céu
redondo e o ts'ung representando a terra
retangular. Eles eram um vínculo
simbólico de comunicação
entre o céu e a terra, de troca entre
o homem e o mundo espiritual. Com o tempo,
artigos de jade foram esculpidos especificamente
para enterrar com o morto, baseado na idéia
de que as qualidades do jade de nobreza,
perfeição, constância
e imortalidade preveniriam o corpo físico
da decadência. Exemplos de objetos
de jade para uso em enterros são
uma cigarra de jade fina e leve, que era
colocada na boca do morto e um bracelete
de jade redondo e espesso, colocado em uma
das mãos do defunto. Uma cigarra
vai debaixo do solo e é 'renascida'
após penetrar em sua pele, e um porco
que desse cria rápida, para riqueza
crescente. Assim, motivos naturais são
usados para expressar os desejos humanos
de reencarnação ou riqueza
aumentada para a família da pessoa.
O desenvolvimento dos utensílios
de jade após as Dinastias Sung (960
D.C.-279 D.C.) e Yuan (1271 D.C.-1368 D.C.)
tenderam para pura habilidade e arte. Com
exceção de um pequeno número
de utensílios de jade usados pelo
imperador em rituais de sacrifício,
a escultura de grandes quantidades de utensílios
de jade é atribuída principalmente
à sua atração estética
e sofisticada. A maioria dos artigos de
jade esculpidos eram ornamentais, inclusive
peças para exibição
e artigos para uso pessoal. Mas peças
de jade ornamentais para exibição
também tinham seus usos. Tais artigos
incluíam alças para escovas,
escovas de lavagem, xícaras de água,
descansos para braço e uma caixa
de pastas de tinta vermelha (para gravações
de nomes). Bonitos e primorosos artesanatos
dotaram cada peça com riqueza, lustre
e delicadeza, refletindo a alta qualidade
de vida aspirada pelo povo chinês.
Artigos de jade para uso pessoal incluíam
pentes, grampos, pulseiras e pendentes para
a cintura. Ornamentos de jade também
eram fixos em varas ambulantes, faixas de
cintura, artigos de vestuário e bonés.
Ornamentos de jade permanecem
populares até o presente. Hoje em
dia, na República de China, comprar,
usar e dar artigos de jade como presente
ainda é muito comum. O jade é
visto como um presente ideal para casais
que assumem um compromisso mútuo
e para os filhos da pessoa quando eles se
casam. Mesmo hoje em dia, os chineses retêm
a idéia que além de estarem
bonitos, o jade pode proteger do infortúnio
e trazer boa sorte.
O jade é uma essência
produzida pelas forças naturais de
rios e montanhas durante eras. Porém,
se não for habilmente cortado e polido,
não há como a riqueza e o
lustre que as pessoas tanto prezam ser expresso.
Os chineses possuem um ditado que diz. "Se
o jade não for cortado corretamente,
não pode ser transformado em um utensílio
útil". Cortar é um passo
importante no processo de produção
de artigos de jade.
A fabricação
de artigos de jade chineses era altamente
desenvolvido na Dinastia Shang (século
XVI a XI A.C). Os chineses deste período
tinham a tecnologia para produzir artigos
de jade de todo tipo, molde e tamanho imaginável.
Ao final da Dinastia Chou (século
XI para 256 A.C.) e o começo da Dinastia
Han, os jades chineses alcançaram
um segundo pico em seu desenvolvimento.
Artesãos tiveram à sua disposição
ferramentas das mais avançadas e
eficientes métodos de polir jade
e criar obras primas insuperáveis.
Uma técnica envolvia esculpir um
artigo com vários componentes ligados
de um único pedaço de jade,
demonstrando a alta sofisticação
do domínio do artesão. Assim,
os artesãos de jade podiam acomodar
praticamente qualquer e toda exigência
de cliente em seus trabalhos.
Atualmente na República
da China, a arte de esculpir jade alcançou
outro ápice em seu desenvolvimento.
Formas tradicionais e estilos modernos são
combinados para desenvolver novas criações,
a moderna tecnologia elevou em muito a qualidade
do trabalho do artesão. O jade já
não é mais de uso exclusivo
de nobres e imperadores, praticamente todos
no ROC tem seus meios para possuir e usar
jade. Além de manter seu papel histórico,
a arte do jade foi desenvolvida com criatividade
e habilidade e tem se tornado uma parte
indispensável da vida cotidiana.
O jade mantém-se um símbolo
eterno da magnífica civilização
da China.
Voltar
|