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Prefácio
da edição chinesa
Os
36 estratagemas é uma obra especializada
em estratégias e táticas de
guerra. Notícias mais remotas acerca
de seu surgimento datam do Livro de Nanqi
de Wang Jingze (séculos IV e V a
C), mas somente foi reunido em volume, entre
o período das dinastias Ming e Qing
(séculos XIV e XIX), o seu autor
é desconhecido.
A obra é especialmente precisa nos
termos empregados, gerando um efeito animado
aos versos sem perder a profundidade filosófica.
As táticas de guerra foram baseadas
em configurações inspiradas
no I Ching (Yi jing), o Livro das Mutações.
O autor de Os 36 estratagemas transportou
as transmutações duais de
yin e yang para as táticas de guerra:
dureza e maleabilidade, extraordinário
e exatidão, ataque e defesa, o outro
e si mesmo, falso e verdadeiro, anfitrião
e visitante, trabalho e ócio. Apesar
de estas dicotomias serem aparentemente
dualistas, na realidade, são monistas,
porque yin e yang, opostos e antagônicos
são complementares e transformam-se
de um estado para outro, no seu oposto,
no seu contrário. O chamado paradoxo
dialético. |
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Devido
a sua forma original, elegante e de conteúdo
abundante obteve grandiosa divulgação.
Permeado pelo pensamento militar estratégico
de espírito universal, o livro contribui
e influencia a cultura da humanidade.
Na entrada recente ao século XXI, para
engrandecer os pensamentos militares estratégicos
extraordinários da China antiga deve-se
dar um passo na ampliação de sua
utilidade não só nas áreas
militar, política e econômica, bem
como para administração de negócios,
entre outros.
Um estudo mais aprofundado
dos 36 estratagemas é preciso, devido ao
seu estilo, caracterizado por palavras misteriosas
e idéias genéricas, tornando a sua
leitura mais dificultosa para se chegar precisamente
ao conteúdo da estratégia, por isto,
editamos a série “Os 36 estratagemas
e os 4 grandes clássicos chineses”.
Os quatro grandes clássicos
chineses são: O romance dos três
reinos, A ribeira ou Todos os homens são
irmãos, Relato da viagem ao oeste e O Sonho
do pavilhão vermelho.
| O
romance dos três reinos é baseado
em fatos históricos, tem uma resolução
minuciosamente acabada e sua trama é
meticulosa, as passagens complexas foram
organizadas de maneira lógica e ordenada,
descrevendo de forma eloqüente e grandiosa
as bruscas mudanças daquele período
da história.
O autor de A ribeira, baseado em histórias
verídicas e fictícias populares,
nas poesias da dinastia Song e peças
da dinastia Yuan, registrou vários
fatos alegres e tristes do cotidiano, resumindo,
refinando com uma capacidade criadora sem
precedente, escreveu este romance que descreve
o levante e a batalha camponesa que sobreviverá
para sempre através dessa estória.
A novela fantástica Relato da viagem
ao oeste, é uma paródia de
fatos reais ocorridos nas Cinco Dinastias
(séculos X à XII), popularizadas
nas dinastias Song e Yuan (séculos
XI à XIV) que conta a história
do monge Tang à Índia em busca
do livro sagrado. É uma obra permeada
de magia, fantasia e intrigas extraordinárias.
O autor transformou os 81 karmas do livro
sagrado do budismo em uma ficção
repleta de sentimentos humanos e harmonia
entre o além e este plano.
O sonho do pavilhão vermelho é
ao mesmo tempo uma obra genial e monumental.
Os personagens a partir da pena do escritor,
têm alegrias e ódios, mas conseguiu
evitar exageros e opiniões pessoais,
e conseguiu penetrar profundamente no colocar-se
no ponto de vista do outro e dons naturais,
tendo como base a sua sensibilidade, demonstrando
a vasta complexidade da personalidade humana
e outros aspectos complexos da situação
em sociedade.
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Independente
dos temas abordados nos romances, seja as matanças
de guerra ou as disputas políticas, tampouco
as competições entre deuses e demônios
ou conflitos entre os homens, todos os quatro
clássicos ilustram mais enriquecidamente
as estratégias e o poder, esta série
tem como espírito Os 36 estratagemas e
de carne e osso os quatro clássicos, derretidos
num só forno o denso pensamento estratégico
com os vivos e animados clássicos, tornando-os
contemporâneos num mesmo campo de batalha,
pontuando um por um dos nortes estratégicos.
Prefácio
à edição brasileira ou Nota
da Tradução
Os 36 Estratagemas é
uma obra sem data e de autor anônimo, tal
qual como muitos dos livros chineses, mas isto
não se constitui em um problema, pois,
para estes a data em que foi escrito e qual o
seu autor são questões que são
consideradas mais importante para os ocidentais
do que para os chineses.
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No tempo antigo, os livros
da literatura chinesa eram escritos a partir
de versos já existentes e baseados
em vários autores. Os 36 estratagemas
é um destes livros, onde os versos-provérbios
não se organizam para exprimir conceitos,
como na tradição ocidental,
preferindo símbolos ricos em sugestões
práticas; estes, em vez de uma acepção
definida, possuem uma eficácia indeterminada:
não visam a permitir identificações
precisas, mas sim, acompanhando uma adesão
global do pensamento, uma espécie
de conversão total da conduta. Por
isto, que nos textos antigos vem acompanhado
sempre de glosas e comentários afim
de auxiliar na compreensão e interpretação
dos versos. Eles fornecem a “interpretação
correta”, nenhum leitor (muito menos
um chinês) lê um texto livremente,
ele é instigado pelas glosas, mesmo
que as saiba inspiradas num sistema de interpretação
impregnado de preocupações
escolares, morais e políticas. Ninguém,
com efeito, acessa o texto, escrito numa
língua arcaica, senão através
da glosa. |
A presente edição
se diferencia das demais, por trazer mais exemplos
para auxiliar na interpretação dos
versos-provérbios retirando passagens do
Romance dos três reinos, prototipicamente
uma obra literária de guerra.
O seu texto original é formado por versos-provérbios
compostos de quatro caracteres (quatro sílabas),
seguido de uma tradução para prosa
e por último um comentário crítico.
Os versos-provérbios,
são expressões convencionais, poderosas
por sugerir ações, também
podem servir para descrever, e fazê-lo com
singular vigor. O leitor atento descobrirá
um pequeno quadro muito vivo.
Os 36 estratagemas são divididos em 6 grupos
de 6 estratégias cada:
1º
- Das estratégias para vencer a guerra
2º
- Das estratégias para a batalha
3º
- Das estratégias para o ataque
4º
- Das estratégias para a batalha desordenada
5º
- Das estratégias para ocupação
ou eliminação
6º
- Das estratégias para derrota
Desde já fica as escusas por eventuais
erros de tradução, observando que
traduzir um texto de uma língua monosilábica,
caracterizada pela (quase) ausência de preposições,
conjunções, bem como de flexões
verbais e desinências nominais não
é uma tarefa fácil para o português.
Fora consultado diversas bibliografias concernentes
ao assunto, como poderá se ver no apêndice
bibliográfico para aqueles leitores que
desejarem consultar.

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